Os índices de abandono, a compatibilidade com outros animais e necessidades específicas são questões a considerar, antes de qualquer coisa

 

Há muito para refletir antes de comprar ou mesmo adotar um animal de estimação. Se você não é uma pessoa disposta à dedicação que um pet exige, é melhor não tê-los. Eles são abandonados aos milhares todos os anos, pelos mais variados motivos. Há casais cuja separação é tão traumatizante que acabam abandonando o pet na tentativa de esquecer o relacionamento. Há desinformados que se deparam com o crescimento exacerbado do cãozinho adquirido e decidem abandoná-lo porque moram em um local que não oferece condições de manutenção.

Existem aqueles que compram um pet por impulso diante da empolgação do filho pequeno, depois se arrependem e abandonam nas ruas. Alguns são surpreendidos por uma ninhada inesperada de uma gata não castrada e resolvem livrar-se dos rebentos. Em suma, o abandono decorre da inconsequência, irresponsabilidade e desumanidade.

Qualquer que seja o motivo do abandono, o resultado é estarrecedor: uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) feita em 2014, mostra que existem trinta milhões de animais abandonados no Brasil, dez milhões de gatos e vinte milhões de cães. Então, muito mais importante do que a decisão entre a compra ou adoção é a de efetivamente levar ou não um animal de estimação para casa. Reflita um milhão de vezes.

Há fatores financeiros (compra de ração, vacinas, castração etc.), de disponibilidade para cuidar, fatores de comportamento do animal, tamanho, espaço físico para mantê-los, compatibilidade com crianças e outros pets, além de inúmeros outros. Ter um animal de estimação é uma grande responsabilidade e o seu abandono é crime previsto na lei 9.605/98.

Muito mais importante que a decisão entre a compra ou adoção é a de levar ou não um animal de estimação para casa

Emocional

De acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, existem 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos domésticos no Brasil. O perfil dos tutores desses animais, traçado pelo Instituto, revela que 24% dos donos de cães adotaram seus pets (60% deles sem raça definida). A maioria das pessoas entrevistadas na sondagem (68%) acredita que os cães lhes proporcionam conforto emocional. Com os donos de gatos, o levantamento aponta características semelhantes. Pelo menos 48% dos donos de gatos acreditam que os bichanos compreendem o humor dos donos. Outros 45% enxergam esses animais como filhos. Emoções à parte, quem pleiteia um animal de estimação deve fazer uma autoanálise para avaliar até onde vai esse desejo.

Adoção versus compra

No tocante à adoção de cães, quem tem necessidades específicas, como a caça, guarda ou guia para deficientes visuais, irá procurar, provavelmente, um Perdigueiro, Rottweiler e Labrador, respectivamente. Alguém com tais demandas dificilmente tem tempo para procurar um animal que foi abandonado e buscará naturalmente um canil especializado. Não há o que discutir, uma vez que as raças nos permitem optar por um cão ou gato com características comportamentais ou habilidades bem definidas. Sempre haverá alguma controvérsia em relação à compra de pets de raça para tê-los como animais de companhia. Mas até para manter um pet dentro de casa, por vezes, há necessidades específicas.

Quem tem necessidades específicas, como a caça, guarda ou guia para deficientes visuais, irá procurar uma raça adequada

 

O Poodle, por exemplo, é um cão que está no topo do ranking dos cães mais inteligentes do mundo e isso pode fazer a diferença. O porte de um Poodle Toy o torna mais interessante para quem mora em condomínios onde não se permite animais maiores. Outra vantagem da raça é que ela não solta tantos pelos, o que facilita muito a vida do dono. Ter um Whippet, raça de cão que não costuma latir e não exige tantos banhos, também é uma boa opção para quem quer menos manutenção e problemas com vizinhos.

Quem já possui gatos em casa e deseja ter um cão, irá preferir uma raça cat-friendly como o Beagle, por exemplo, um cão que poderá adorar uma brincadeira de perseguição com o bichano no quintal, mas será capaz de tratá-lo respeitosamente dentro de casa. O Boxer é outro cão muito indicado para a convivência com gatos. O mesmo acontece com o Maltês, o Golden Retriever e o Bichon Frisé.

Felinos domésticos possuem um comportamento mais uniforme, sem grandes sobressaltos em relação aos caninos. Mas, na relação com cães, há raças dog-friendly recomendadas, como, por exemplo, o Ocicat, de natureza muito sociável, que prefere não ficar sozinho. O mesmo acontece com o American Bobtail, Bombay e Angorá Turco, que normalmente não têm problemas com crianças e cães dentro de casa

Adotando animais de raça

É possível, entretanto, unir o útil ao agradável. Você não precisa, necessariamente, comprar um animal de raça e depois ficar com a consciência pesada. Adotar um animal não significa adotar um animal sem raça definida. Infelizmente a inconsequência e esbanjamento de muitos faz com que cães e gatos de raça, muitas vezes animais caros e de canis ou gatis famosos, sejam abandonados. Há websites que cadastram pessoas interessadas em adotar, inclusive raças específicas.

Promover a ressocialização de um animal que sofreu maus tratos é desafiador, mas gratificante

Vale a pena procurar páginas de grupos do Facebook, organizações da sociedade civil (ONGs) que reúnem aficcionados por raças ou que defendem os direitos dos animais. Em princípio, é possível encontrar qualquer raça para adoção, basta que algum seja resgatado por aí. É claro que muitos desses bichinhos estarão machucados, subnutridos ou até mutilados, sem uma perna, orelha ou olho. É preciso compreender também que além de problemas físicos que aqueles animais podem apresentar, há fatores psicológicos que podem tê-los tornado arredios, desconfiados e introvertidos. Não é raro encontrar cães ou gatos vítimas da violência humana com sérios distúrbios comportamentais. Mas não há nada como a sensação de proporcionar uma nova e digna vida a um animal ou, melhor ainda, recuperar sua alegria de viver. Promover a ressocialização de um animal que sofreu maus tratos é desafiador, mas gratificante.

Desde websites de comércio, como o Mercado Livre e OLX, até os de organizações da sociedade civil, passando pelo Facebook e motores de busca, todos trazem algum resultado quando se busca a adoção, seja de SRDs (animais Sem Raça Definida) ou raças específicas.

Canis e gatis

Caso a preferência seja pela garantia da raça apurada, é melhor procurar criadores de boa reputação, pertencentes a algum clube. Procure informações sobre as origens do pet, sua linhagem e se há algum problema genético na família dele. Verifique pessoalmente as instalações do gatil ou canil, se há cuidados com a limpeza e a disponibilização de documentos como pedigree, certificado de registro a alguma associação de criadores, etc. A Confederação Brasileira de Cinofilia mantém um ranking dos melhores canis de cada raça no país. É recomendado checar cada detalhe, pedir referências e fazer contato com pessoas que já adquiriram animais do estabelecimento em questão.

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